sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Absolutamente Relativa

Sem cortes conscientes, apenas de acúmulo e desacúmulo, vive-se? Vive-se de observar o correr da troposfera, encaixando o estado das núvens no estado dos ânimos, sacando os vacilos- se já andavam acontecendo, se são parte do ciclo, se são meus, se são vacilo  - tava tranquilamente desligada, imersa em empatia ...Vive-se de acidentes oportunos, entre rituais diários, ou sou eu,  fiel ao eu, com fé no eu, que me surpreendo com a capacidade intencional de sacar, praticando um auto-questionário sabotador que decorar não fez esquecer, porque é necessário entender a frustração primeiro sem por quês. Dúvidas rígidas que estruturam um conforto morto: Até certo ponto estive traçando um plano B. Estive causando imprevistos. Estive sufocada num ideal de espontaneidade, um que não curto e que não preciso- presa na idéia de outro: outro ser, outra idéia. Estive. Mas porque saquei a expressão na pausa, pausei...E na pausa, há eixo, não cortes. Vivo bastante de estatística e minha visão vai e volta dos cacos de experiências inocentes à média. Vivo considerando hipóteses e ângulos. Vivo me defendendo por trás das defesas que faço, um traço ali, uma fronteira acolá. Vivo assim sem culpa porque isso em si já é suficientemente fluido.

Procuro paz e Fascínio. Enterrar os dedos na terra do mistério, minuciosamente, seguramente. Não quero a euforia que soterra, mas a vivência imparcial, provar do pedaço que contem o todo. Quero a experiência nuclear - Diminuição do ruído interno que clareia a percepção. Não quero mais nada, não... Que o brilho seja emanado pelas partículas como são, que os estalos e estados venham e vão, que chame a dicotomia "presença-ausência" de tempo, nada mais...É só o tempo, brincar de tempo, de viagem no tempo. Minhas memórias de infância estão ainda sendo registradas. Meu corpo morre e ressuscita um pouco diferente. Sou tudo se sou um pedaço. Sou absolutamente relativa.